Dor crónica na meia-idade: o que precisamos de saber segundo a International Menopause Society

mulher a segurar o braço pelo cotovelo acima da cabeça e a exprerssar dor na articulação

Hoje, dia 18 de outubro, assinala-se o Dia Mundial da Menopausa!

Criado pela International Menopause Society (IMS) em 2009, este dia é uma iniciativa global de sensibilização que dá visibilidade aos desafios que as mulheres enfrentam durante a transição para a menopausa e destaca os avanços na investigação, na educação e nos recursos disponíveis.

Todos os anos, a IMS define um tema e disponibiliza recursos de apoio dirigidos a mulheres, profissionais de saúde e comunidades em todo o mundo.

Este ano, o tema escolhido foi a dor crónica na meia-idade.

O texto que se segue é uma tradução da ficha informativa da IMS, que reúne informação fiável sobre este tema e procura apoiar a partilha de conhecimento e as conversas entre mulheres, profissionais de saúde, famílias e comunidades. 

Dor crónica na meia-idade

A dor parece ocupar mais espaço na tua vida do que antes? Talvez sejam as articulações. Talvez sejam dores de cabeça. Talvez seja mais do que um tipo de dor ao mesmo tempo. Se é o teu caso, não estás a imaginar e não está sozinha. Para muitas mulheres, a dor torna-se mais evidente por volta da menopausa. Esta ficha informativa explica porquê. Explica também o que pode ajudar e o que vale a pena falar com o teu médico.

O que precisas de saber

  • A dor crónica é frequente na meia-idade e torna-se mais provável durante a transição para a menopausa.
  • Surge muitas vezes como mais do que um tipo de dor ao mesmo tempo. Por exemplo, dor articular e enxaqueca, ou dor pélvica e cansaço.
  • Esta dor é real. Tem causas físicas, mesmo quando os exames de imagem ou as análises ao sangue parecem normais.
  • Não existe uma solução única, mas há coisas que podem ajudar.
  • Vale a pena pedir ao teu médico um plano, em vez de aceitar a dor como algo com que simplesmente tens de viver.

Sabias que…

  • As mulheres têm até 70% mais probabilidade do que os homens de ter dor crónica.
  • Quase 3 em cada 4 mulheres têm dor articular ou muscular durante a perimenopausa.
  • A fibromialgia é cerca de 3 vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens.
  • A enxaqueca é uma das principais causas de incapacidade nas mulheres entre os 15 e os 49 anos.

Alguns termos explicados

DOR CRÓNICA: dor que dura, ou que volta repetidamente, durante mais de três meses.

SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL: uma alteração no funcionamento do sistema nervoso. Com o tempo, o sistema nervoso pode ficar mais sensível e começa a reagir com mais intensidade a estímulos que normalmente não causariam tanta dor. É uma alteração real e física no funcionamento do sistema nervoso. Não significa que a dor seja imaginada.

SÍNDROME MUSCULOESQUELÉTICA DA MENOPAUSA: designa um conjunto de alterações associadas à diminuição dos estrogénios e interligadas com o processo de envelhecimento. Podem incluir dor articular, rigidez e, nalgumas mulheres, perda de força muscular.

Porque é que isto me está a acontecer agora?

A diminuição dos estrogénios afeta os nervos, as articulações e os músculos. Afeta também a forma como o cérebro processa os sinais de dor. Ao mesmo tempo, muitas mulheres lidam com sono de má qualidade, humor deprimido ou afrontamentos, e tudo isto pode intensificar a dor.

Nalgumas mulheres, problemas de dor que já existiam alteram-se nesta fase. Às vezes melhoram, outras vezes pioram. Noutras mulheres, a dor parece surgir pela primeira vez.

Que tipos de dor são mais comuns na meia-idade?

DOR ARTICULAR E MUSCULAR
É o tipo de dor mais comum na meia-idade. Pode afetar as mãos, os joelhos, as ancas, o pescoço ou as costas. Vem muitas vezes acompanhada de rigidez, sobretudo de manhã.

ENXAQUECA
Em muitas mulheres, a enxaqueca torna-se mais frequente ou mais intensa nos anos que antecedem a menopausa. Isto está muitas vezes ligado às variações hormonais. Nalgumas mulheres, a enxaqueca melhora depois da menopausa.

DOR PÉLVICA
Pode incluir dor semelhante à menstrual que continua depois de a menstruação parar, dor durante as relações sexuais ou desconforto na bexiga. É comum e também é tratável.

DOR GENERALIZADA E CANSAÇO
Algumas mulheres têm dor em vários sítios ao mesmo tempo, acompanhada de cansaço, sono de má qualidade e dificuldade de concentração. A este padrão chama-se por vezes fibromialgia.

Estes tipos de dor sobrepõem-se com frequência. Ter mais do que um não significa que algo tenha passado despercebido. Reflete o quanto estes sistemas estão ligados no corpo.

O que posso fazer por mim?

O movimento pode ajudar, mesmo quando é a última coisa que te apetece. A atividade física regular, sobretudo o treino de força, é das coisas que mais ajudam na dor articular e muscular a longo prazo.

O sono e o stress também fazem parte da equação. Dormir mal pode intensificar a dor, e a dor pode dificultar o sono. Por isso, melhorar um costuma ajudar o outro.

Desconfia das soluções “milagrosas” que circulam online. Muitos suplementos e produtos “detox” para a dor na menopausa não têm evidência sólida que os sustente. Podem ser caros e trazer pouco ou nenhum benefício. Fala com o teu médico antes de experimentar algo novo.

Dá tempo às mudanças. As alterações no estilo de vida tendem a ajudar de forma gradual, não de um dia para o outro.

Que tratamentos podem ajudar?

Não existe um tratamento que funcione para todas as mulheres, e isso não significa que haja algo de errado contigo. A dor crónica na meia-idade costuma precisar de mais do que um tipo de abordagem.

TERAPÊUTICA HORMONAL DA MENOPAUSA(THM): Pode aliviar muitos sintomas da menopausa e isso, em algumas mulheres, pode contribuir para uma melhoria da experiência global da dor. No entanto, a evidência não demonstra que a THM seja consistentemente eficaz no tratamento da dor articular ou muscular, por si só. O teu médico pode ajudar-te a ponderar os benefícios e os riscos, sobretudo se tiveres antecedentes de enxaqueca ou endometriose.

FISIOTERAPIA: pode ajudar na dor articular, muscular e pélvica.

TERAPIAS PSICOLÓGICAS, COMO A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC): podem ajudar a gerir o impacto da dor no dia a dia. Isto não quer dizer que a dor não seja real. Quer dizer que estás a receber apoio para viver melhor com ela e encontrar a tua forma de a aliviar.

MEDICAÇÃO: também pode ser usada, em conjunto com estas abordagens.

A que devo estar atenta?

Volta a falar com o teu médico se:

  • a dor for nova ou tiver mudado de uma forma que te preocupa;
  • a dor a estiver a impedir de fazer coisas importantes para ti, como trabalhar, fazer exercício, dormir ou estar com as pessoas de quem gostas;
  • sentires que a tua dor não está a ser levada a sério.

Tu conheces melhor o teu corpo. Se algo não te parece bem, é sempre razoável pedir uma conversa a sério sobre isso.

O que posso esperar?

Muitas mulheres percebem que uma combinação de tratamentos ajuda ao longo do tempo, tanto na dor como na qualidade de vida. A dor pode não desaparecer por completo, mas pode tornar-se mais fácil de gerir. Ser ouvida e levada a sério é muitas vezes o primeiro passo. É também algo que tens todo o direito de esperar dos cuidados de saúde que recebes.

Perguntas para fazer ao teu médico

  • A minha dor pode estar relacionada com a menopausa?
  • É possível que eu tenha mais do que uma condição a causar a dor?
  • Que opções não hormonais existem, em conjunto com a THM ou em vez dela?
  • Posso ser encaminhada para um fisioterapeuta ou um especialista em dor?
  • O que posso fazer por mim e que tratamentos podem ajudar?

Para saber mais

Nota: Texto traduzido e adaptado da ficha informativa da IMS.

Para profissionais de saúde e todas as pessoas que queiram aprofundar este tema, o White Paper está disponível aqui.

Quem quiser saber mais sobre a relação entre as dores nas articulações e a menopausa pode consultar também este artigo, escrito pelo Dr. José Saraiva Ribeiro, médico reumatologista no Hospital Cruz Vermelha.

Já tinham ouvido falar da relação entre menopausa e dor crónica?

Até breve!

Rita

Referências

IMS 2026 White Paper, Chronic Pain at Midlife (Mailis, Ang, Di Renna, et al., Climacteric, 2026)

Nappi RE. “Women are born with pain built in” – what this means to the modern menopause narrative (editorial, 2026).

Disclaimer

Os conteúdos deste site são de caráter informativo e educacional e não substituem o aconselhamento médico individualizado. As informações sobre sintomas, tratamentos, alimentação e exercício físico são generalistas e podem não ser adequadas para todas as mulheres. Para um diagnóstico correto e um tratamento adequado, consulta sempre um médico antes de iniciares qualquer tratamento, incluindo medicamentos, suplementos alimentares, planos de exercício físico, procedimentos médico-estéticos ou outros programas relacionados com a tua saúde.

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